quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Do silêncio
Não sei bem quando aconteceu, mas ficamos viciados em barulho. O silêncio se tornou um insuportável sinônimo de vazio, de falta e estamos sempre esperando por um comentário, uma opinião, qualquer ruído com um pouquinho de significado – ou não – para preencher uma lacuna que nos intimida e nos deixa constrangidos.
Será medo de pensarem que não temos nada de produtivo a acrescentar? Receio de acharem que a gente é bobo ou até mesmo meio burro?
É que o silêncio pressupõe uma intimidade que para muitos pode parecer assustadora e prescindir das palavras é revelar-se em completa nudez. A gente se sabe confortável e íntimo de alguém quando não tem necessidade de preencher os silêncios e descobre que eles fazem parte da conversa, da amizade, do cortejo. É quando nos damos conta de que a falta de barulhos não é constrangedora, mas confortável e bastante convidativa.
Silenciar é dar descanso aos ouvidos e colocar os olhos para trabalhar. Deixar que eles passeiem e tomem conta do assunto, que coloquem a conversa em dia e que, numa fração de segundo, trabalhem o que as cordas vocais não deram conta em horas e horas.
Olhos nos olhos, quero ver o que você me diz sem pronunciar uma única sílaba. Aí é que está o grande desafio.
Texto de Augusto Paz.
domingo, 1 de abril de 2012

Ando com vontade de ter filhos... Engraçada essa coisa do relógio biológico. Outro dia fiz um plano de "cenários", fazendo leituras em Macroeconomia, e comecei a esboçar um plano de metas para entender os conceitos. Me dei conta, no meio de um gráfico improvisado, de que o que eu mais quero não é o salário de cinco dígitos, pago pelo governo federal e todo mês, com o carro e a casa dos sonhos. O que eu mais quero é uma família, tão linda quanto a que eu tive quando eu era criança, ou mais... Quero levar as crianças pra escola, quero brincar de livrinho, pirueta, teatro, esconde-esconde e cambalhota... Quero contar minhas histórias, quero ouvir as histórias delas, as musiquinhas, quero ficar brava com a "tia" do colégio por qualquer motivo que seja... Quero me acabar de chorar nas homenagens da escolinha, quero abraçar, tomar banho de mangueira em dia quente quando formos dar banho no cachorro, ensinar a ler e a dançar. Quero levar no parquinho, empurrar no balanço, ensinar a amarrar o cadarço ou fazer as trancinhas, levar para ver os avós... Ah... levar pra ver os avós... fingir que fico brava com o pai porque ele sempre mima demais...
Sensação de quando se é criança e o ano letivo começa. Sensação de encapar caderno novo, com desenhos bonitinhos e o cheiro novinho do plástico cuidadosamente escolhido... recorte, estrelas, peixinhos, que lindo!
Sensação de amar, tanto e imensamente, essas crianças que são minhas sem nunca nem terem sido... Sensação de que as quero, com todas as forças que existem em mim, sempre e mais a cada dia. Sensação de que deve ser incrível ser mãe.
quarta-feira, 28 de março de 2012
Mulheres Mulheres ...
"E daí?
Uma mulher tem que ter
Qualquer coisa além de beleza
Qualquer coisa de triste
Qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade
Um molejo de amor machucado
Uma beleza que vem da tristeza
De se saber mulher
Feita apenas para amar
Para sofrer pelo seu amor
E pra ser só perdão"
(Vinicius de Moraes)
Ah, Vinícius entendia mesmo da essência feminina.
Uma mulher tem que ter
Qualquer coisa além de beleza
Qualquer coisa de triste
Qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade
Um molejo de amor machucado
Uma beleza que vem da tristeza
De se saber mulher
Feita apenas para amar
Para sofrer pelo seu amor
E pra ser só perdão"
(Vinicius de Moraes)
Ah, Vinícius entendia mesmo da essência feminina.
sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A gente finge que arruma o guarda-roupa, arruma o quarto, arruma a bagunça. Tira aquele tanto de coisa que não serve, porque ocupar espaço com coisas velhas não dá. As coisas novas querem entrar, tanta coisa bonita nas lojas por aí. Mas a gente nunca tira tudo. Sempre as esconde aqui, esconde ali, finge para si mesmo que ainda serve. A gente sabe. Que tá curta, pequeno, apertado. É que a gente queria tanto. Tanto.
Acredito que arrumar a bagunça da vida é como arrumar a bagunça do quarto. Tirar tudo, rever roupas e sapatos, experimentar e ver o que ainda serve, jogar fora algumas coisas, outras separar para doação. Isso pode servir melhor para outra pessoa. Hora de deixar ir. Alguém precisa mais do que você. Se livrar. Deixar pra trás. Algumas coisas não servem mais. Você sabe. Chega. Porque guardar roupa velha dentro da gaveta é como ocupar o coração com alguém que não lhe serve. Perda de espaço, tempo, paciência e sentimento. Tem tanta gente interessante por aí querendo entrar. Deixa. Deixa entrar: na vida, no coração, na cabeça.
domingo, 24 de abril de 2011
Pensamento solto de domingo de Páscoa...
Há dois mil anos, um Homem veio ao mundo disposto a ser o maior exemplo de amor e verdade que a humanidade conheceria.
Sua proposta de vida não foi entendida por muitos e então, condenaram este Homem e crucificaram-no, ignorando todos os seus propósitos de um mundo melhor. Por três dias, o sol se recusou a brilhar, a lua se negou a iluminar a Terra, até que no terceiro dia algo aconteceu... Houve a ressurreição!
A Páscoa existe para nos lembrar deste espetáculo inigualável chamado ressurreição.
Ressurreição do sorriso...
Ressurreição da alegria de viver...
Ressurreição do amor...
Ressurreição da amizade...
Ressurreição da vontade de ser feliz...
Ressurreição dos sonhos, das lembranças e de uma verdade que está acima dos ovos de chocolate ou até dos coelhinhos: Jesus morreu, mas ressuscitou e fez isso somente para nos ensinar a matar os nossos piores defeitos e ressuscitar as maiores virtudes no íntimo de nossos corações.
Que esta seja a verdade da sua Páscoa!!
Sua proposta de vida não foi entendida por muitos e então, condenaram este Homem e crucificaram-no, ignorando todos os seus propósitos de um mundo melhor. Por três dias, o sol se recusou a brilhar, a lua se negou a iluminar a Terra, até que no terceiro dia algo aconteceu... Houve a ressurreição!
A Páscoa existe para nos lembrar deste espetáculo inigualável chamado ressurreição.
Ressurreição do sorriso...
Ressurreição da alegria de viver...
Ressurreição do amor...
Ressurreição da amizade...
Ressurreição da vontade de ser feliz...
Ressurreição dos sonhos, das lembranças e de uma verdade que está acima dos ovos de chocolate ou até dos coelhinhos: Jesus morreu, mas ressuscitou e fez isso somente para nos ensinar a matar os nossos piores defeitos e ressuscitar as maiores virtudes no íntimo de nossos corações.
Que esta seja a verdade da sua Páscoa!!
sábado, 16 de abril de 2011
Acima de tudo

PRINCÍPIOS SÃO COMO GOSTOS: cada um tem os seus, frutos da própria história. Ao compará-los, podemos concordar, nos reconhecer, admirá-los - ou nada disso. Independentemente de quais sejam, conhecê-los é um exercício de sobrevivência. A vida não é um filme em que a diferença entre certo e errado é sempre óbvia. Há muitas possibilidades, que, não raro, nos deixam perdidos. Para isso, enfim, servem os valores: ao entendermos sua influência e aceitarmos a responsabilidade de defendê-los, ficamos mais seguros de quem somos e do nosso caminho.
Mas esse (quase) nunca é um aprendizado fácil.
Minha primeira grande lição sobre princípios foi lá pela 5ª série. De repente, os pais dos meus colegas começaram a oferecer prêmios às boas notas dos filhos. Ou nem tão boas assim - se passasse de ano estava bom. (No fim do colégio, valia carro.) A prória escola estimulava a meritocracia material: aos melhores alunos do bimestre, distribuía medalhas douradas e caixas de bombom.
Ganhei muitas dessas. Mas prêmio em casa? Até tentei. Chegava com o boletim coalhado de notas 10, e comentava como quem não quer nada: "Sabe, o fulano vai ganhar uma viagem só porque tirou 8...."
E meus pais respondiam sem piscar: "Não fez nada além da sua obrigação. E fez por você, não por nós."
Às vezes era frustrante. Fui entender depois - e hoje agradeço. Estudar era nosso compromisso, e notas altas, o caminho para chegar à universidade. Se minha dedicação dependesse da recompensa, eu agiria pelo interesse material, não pelo valor da educação. Não era o que eles queriam. Honrar nossos princípios teria de ser minha escolha natural: sem cobranças nem expectativas. Sem questionar nem lamentar. Por mim e por mais ninguém.
Precisei crescer para apreciar essa sabedoria. E entender que a pressão não precisa enfraquecer nossos princípios. Ao contrário: é na oportunidade de reafirmá-los diante dos outros que ficamos mais fortes.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
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